sexta-feira, 18 de junho de 2010

UM IRMÃO E UM ALERTA


Coisa boa de se ter é irmão. Sendo um, dois ou muitos, é sempre bom.

Era para eu ter dois, mas quis a vida me deixar com um só, o mais bonito e inteligente dos gêmeos, segundo o próprio.

A vida também quis que crescêssemos separados, mas sabíamos que tínhamos um ao outro, e isso bastava.

Hoje estamos próximos, mas isso já não basta. Temos que dividir tudo: alegrias, tristezas, conquistas, problemas, e também nossos meninos. Agora ficamos assim, juntos e misturados. Coisa boa de se ter é irmão...

Não sei se Felipe terá essa experiência, porque é bem provável que ele não tenha irmãos. Não por falta de vontade, mas por fôrma estragada...

Felipe demorou muito para chegar, e quando deu o ar da graça eu quis aproveitar cada instante, comemorar cada momento, e fiz isso comendo de tudo um muito.

Não conseguia me manter fora da mesa, e vi a balança saltar de 57kg para 74kg, último registro antes do parto. Fui uma grávida de apavorar qualquer obstetra: fiquei diabética, hipertensa, alérgica, tive comprometimento renal, lombalgia e acabei entrando para o seleto grupo de risco das gestantes.

No ápice das complicações foi meu irmão quem tomou as rédeas e juntou a família para frear minha boca, encabeçando a campanha da gestação saudável, e assim foi até o final. Coisa boa de se ter é irmão...

Com o nascimento mega monitorado do Felipe a balança saltou novamente, mas dessa vez para 51kg, e junto com todo aquele peso algumas “zicas” gestacionais também me deixaram, restando-me um cálculo que me impedia de fazer xixi e uma forte dor nas costas.

Felipe estava com 9 meses quando me submeti à cirurgia para retirada da pedra, presa entre a ureter e a bexiga, e colocação de um cateter que me acompanhou por algum tempo. O que motivou isso? Comi demais e bebi de menos na gravidez. Água era uma coisa que não me pertencia.

Como o corpo muda muito com a gestação, demorei a perceber que a dor lombar que eu sentia não era normal, e isso aconteceu quando dei entrada na emergência porque não conseguia andar tamanha a dor.

Tanto peso vindo e indo abalou, literalmente, minha estrutura, fazendo com que eu permanecesse por um bom tempo visitando ortopedistas e fisioterapeutas à procura de um diagnóstico. Foram muitas consultas, exames, dolorosos procedimentos para infiltração local de medicação e sessões de tortura disfarçadas de fisioterapia para descobrirem a causa de tudo.

Articulações hipermóveis, relaxina circulando no organismo para ajudar no parto, sobrepeso, bebê grande e predisposição para diástase abdominal. A soma desses fatores levou à ruptura dos meus músculos abdominais, fazendo minha coluna trabalhar além da conta, provocando então um edema na lombar por instabilidade na pelve.

Mais uma cirurgia, essa gigante, realizada há 07 meses. Meu abdome foi suturado da altura dos seios até a pelve, me deixando com uma “nova cicatriz de cesárea”, essa beeeem maior que a anterior.

O tratamento ainda não acabou. Em breve farei novos exames e retornarei à fisioterapia, até que tudo se resolva definitivamente, espero.

Assim, com a fôrma comprometida, não sei se Felipe vai ter irmãos. Teoricamente não há nada que impeça, mas o risco sempre existirá, e não sei se quero corrê-lo. Prefiro ser a mãe inteira de um filho só (que vale por três: três vezes amado, três vezes esperado, três vezes lindo, três vezes inteligente...).

E pensar que tudo isso começou com um prato de massa...

Nessa fase difícil da minha vida, quando meu físico e psicológico vieram abaixo, também contei com o apoio do meu irmão, que até me emprestou sua esposa para trocar meus curativos e me dar banho. Coisa boa de se ter é irmão...

Então, gestantes, comam com parcimônia, vivam com equilíbrio a melhor fase da vida de uma mulher, e permaneçam saudáveis para aproveitarem ao máximo a companhia de seus filhos.

Tive que aprender com a dor que equilíbrio é uma palavra à ser aplicada em nossas vidas, ainda mais no período da gestação. Não façam errado! Aprendam como meu exemplo aquilo não deve ser feito.

Por tudo isso não sei se o Felipe terá irmãos, mas família ele tem, ô se tem, com avós, tios e primos.

Ah, primos... Coisa boa de se ter é primo, porque às vezes eles se tornam irmãos.

P.S.: Falar de nossa dor ajuda-nos a superá-la. Por isso agradeço à todos que sempre estiveram do meu lado nessa fase e que, principalmente, me ouviram.

3 comentários:

Vivian disse...

Eita Dani, que estória hein! O importante é que está se recuperando. Depois que o Gá nasceu passei a me cuidar mais tbm, nossos filhos merecem mães saudáveis né!?
Quanto aos irmãos tenho dois que são meus amigos e companheiros. Sempre que preciso, eles estão por perto. Tenho amigas-irmãs e cunhadas-irmãs. É bom ter pessoas assim nas nossas vidas né!
Me emocionei com seu post... E que pena que a gente não mora mais perto pra conversarmos mais!
Bjo grande!

Luna disse...

Que post lindo!!!
Não sei o que mais mexeu comigo: a sua dor ou o companheirismo do seu irmão. Realmente, coisa boa de se ter é irmão, pena que o meu não está mais conosco, e em seu lugar ficou um grande vazio e uma dor que aos poucos vai se transformando em saudade. Acho que um dos motivos de querer tanto dar um irmãozinho pro Felipe é por me sentir tão só, mas meu caso apesar de ser diferente do seu não deixa de ser complicado também. Apesar de às vezes não entendermos Deus sabe o que faz!
Fico contente que você esteja se cuidando.

Bjinhos e bom final de semana.

Priscila Sant'Anna disse...

Dani:

Bem punk ler tudo o que escreveste e imaginar todo o processo. A gravidez e depois as cirurgias.

Também me deu uma chapoletada (não lembro se é assim que escreve!), pq estou às voltas com minha pressão arterial e sei que preciso fazer várias mudanças e esbarro na preguiça, na procrastinação.

Mas nós que somos mães, temos nossos tesouros temos sim que cuidar de nós para podermos cuidar dos nossos filhos como queremos e como eles merecem.

Minha gravidez foi tranquila, mas nesses dois anos pós parto ainda estou tentando resgatar a minha parcela mulher que ficou meio apagada, além de cuidar também de algumas sequelas.

Ter outro filho é algo que penso, repenso. Às vezes quero muito, às vezes não quero de jeito nenhum.
(...)

E a história com teu mano..tanta gratidão e troca. Muito bacana de ler e sentir tuas palavras.

Dani, se o Lipe não tiver irmãos, tenho certeza que não ficará chateado, pois como disseste: ele é muito amado, amado à terceira potência. E isso que importa!

Beijão pra vocês!
Pri e Bia